sábado, 8 de outubro de 2016

Olhar Perdido

uma tv chamuscando, um mercado vazio. um som estranho, uma frase cortada. uma alucinação, um pesadelo constante. uma realidade paranoica, uma crença estúpida. uma série enlatada, uma escada insinuante. uma onda que não tá com nada, uma maresia estonteante. uma peça solta, um concerto desafinado. uma manhã estranha, um outro dia longo demais. uma morte matada, um cinismo silensioso. uma dose amarga, uma glicose a mais. um inferno absoluto, e um paraíso perdido... enfim, um cadarço desamarrado, um tombo no chão. um final de túnel e uma longa escuridão... (Célia Demézio)

terça-feira, 22 de março de 2011

DO LADO AVESSO


Chego atrasada ao trabalho, tenho cismas estranhas, meus pesadelos não são agradáveis, mas corto as unhas, tento disfarçar, pela manhã começo a fingir, pro dia nascer feliz, minha alma vai ficando pequena, há um repertório de velhas canções acompanhadas por músicos, amigos, conhecidos, desconhecidos, chefias, cobradores de ônibus,e se eu fosse tatuar meu corpo escolheria sonetos de Pablo Neruda, e juro, ficaria eternamente nua...


(Célia Demézio)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

UM POEMA PARA IPORANGA


A água corre forte, lá no escuro...
Nossas cavernas têm milhares de anos.
Muitas pedras pelos caminhos,
E uma correnteza forte pode te arrastar para bem longe...
Um rio gelado...mergulhe rápido para perder o medo.
O centro da cidade branco e azul...
Qual a cor do seu time?
Carroças, tratores, ladeira acima, ladeira abaixo...
A vida de cada gente é sempre estranho a mim.
É pelo gosto da surpresa ou outro algum comichão...
Durante o dia visitava a escuridão, lugar incomum por si só...
Quietinha no meu canto perdia a direção.
A noite por lá é quieta,
E não se perturba com o som da viola...
Cidade de bom coração.


(Célia Demézio)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CERTO DIA


Foram-se pelas águas,
Deixaram o planeta terra...
Fizeram bem, fizeram mal,
Compraram seus jornais de domingos,
Cuidaram de seus cachorros,
Tiveram seus amigos, filhos,
Não tiveram ninguém.
Foram-se numa cama de hospital,
Deixaram suas dívidas para trás.
Ouviram suas músicas favoritas,
Mentiram e foram enganados.
Sonharam com melhores dias,
Desprezaram suas vidas tediosas.
Foram-se por um acidente,
Aventuraram-se, correram, desmaiaram.
Trouxeram presentes, fizeram festas.
Choraram e como foram ingratos...
Desperdiçaram comida, mas fizeram o jantar.
Adoraram, odiaram, escreveram, sugaram.
Foram-se de repente.
Não explicaram, não voltaram.
Desperdiçaram chances, ganharam na loteria.
Roubaram, foram traidores, tinham inveja dos amigos.
Deram pão aos que têm fome, choraram de dor.
Foram-se num certo dia,
De um mês qualquer, só alguns sabem.
Outros esqueceram.
Já tiveram o céu e o inferno, vieram e sentiram sabores.
Amargo, azedo, doce, sem gosto.
Inventaram o sal e a pimenta.
Guaraná, cerveja, uísque, água gelada.
Nunca saciaram sua sede.
Porém, deram adeus e tchau... disseram:
- Fomos todos, criaturas cheias de vida!


(Célia Demézio)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

EMBARAÇO


Brejas geladas, quero dizer qualquer coisa
Que puxe assunto, que prolongue a vida...
Não comento a novela das oito,
é um embaraço não saber quem matou quem.
Vou aproveitar e acender um cigarro lá fora
E tomar um pouco de ar...
Por aqui as coisas andam agitadas,
E monótonas demais.
Todo mundo corre demais...
Preciso lembrar que dia é hoje,
Ter um calendário novo.
Ando um tanto esquecida,
Mas é coisa que acontece...
Continuo a ouvir os Beatles e Luiz Gonzaga...
Lembra os velhos tempos?
Com alguns downloads ressucita-se os mortos.
Brejas geladas, vamos começar de novo?

(Célia Demézio)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

CALAFRIOS


Conversas inúteis, surpresas desagradáveis,
Luzes piscando, contagem de tempo.
Cansaço eterno, filmes trash,
O nono capítulo, guichê fechado.
Prazeres online, impressora quebrada,
Senha confirmada, samba da alvorada.
Concursos públicos, papéis empilhados,
Tempo perdido, ônibus atrasado.
Saldo insuficiente, noites de insônia,
Silêncio esquisito, vidros quebrados.
Fins de semana, dores de cabeça,
Preto no branco, paciência esgotada.
Ascendente astrológico, previsão de chuva,
Cheques compensados...
Então, melhor molhar a garganta.
O dia está quente demais, e já estamos suando frio...

(Célia Demézio)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ROTINAS E RETICÊNCIAS


Vejo coisas qeu nem existem...
Troco letras...
Tropeço nas esquinas...
Calo por indisposição...
Faço flerte com o dia
Quando saio pela manhã...
Tudo tem aparência de novo.
Parece não sei o quê...
Uma fórmula para sorrir,
...Não ter razão para chorar...
Devo uma grana para minha analista.
Volta o calor, retorna o frio...
O clima não tem previsão.
Hoje foi surpresa...
Continuo a flertar com o dia...
Porque à noite os bares flertam comigo.
Cervejas geladas, conhaque com limão...

(Célia Demézio)
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