domingo, 20 de setembro de 2009

RESSACA


Um restinho de álcool no fundo do copo
Um coração angustiado e a vista torta...
As estrelas ficaram para trás
E a lua desapareceu.
O sol começa iluminar as dores de cabeça...
Começa mais uma semana...
Cansaço antes do meio dia.
Precisando de um divã?
Ligue para os recursos humanos...
Diga que a vida está uma merda
E você precisa de uma licença prêmio...
Consolação ou não,
Seu pedido é indeferido.
Melhor encarar a enxaqueca
E sorrir devagar para não rachar.
Depois, muito tempo depois,
As coisas voltam ao normal.
Depois de sete dias,
Novamente rezar...

(Célia Demézio)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A MÚSICA


A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!

O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;

Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões

Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrivel me exaspera!

Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
(http://www.citador.pt)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

SEM MISTÉRIO



lá onde os vivos não falam

e o medo anda só

todas as sombras se igualam

a vida se desfaz em pó.

ossos ajuntados

sem memória , sem testemunho

gargantas ganham um nó

que custará a desatar.

lá onde a vida se fecha

sem mais nenhuma cerimônia

sem mistério

sem dó.

(Valdir Alvarenga)
http://aospesdasletras.blogspot.com

quinta-feira, 9 de julho de 2009

VIAGEM


Estranho...
Novas caras à vista....
Nem se imagina tudo isso....
Pessoas novas...
Inéditas...
Novinhas em folha...
Tudo aparenta novo....
Outros cheiros...
Recém olhares...
Alguns e bons sustos...
E se ajeita aqui...
E se aleita ali....
E lá vamos nós...
Em mares nunca dantes navegados....
Ninguém lhe pertence....
E você não pertence a ninguém....
Se soltar do cotidiano....
Do que já se sabe....
Para se lançar de novo....
Bela filosofia...

(Célia Demézio)

sábado, 4 de julho de 2009

TOLICES


As horas despertaram nessa semana em doze em doze horas, antibióticos, anti-inflamatórios, jornal das oito e downloads. . Por não sou uma pessoa atenta, minutos preciosos podem custar uma grande infecção. De muletas pela rua, fui recepcionada por gentilezas, solidariedades e boas risadas para disfarçar a dor. Questão de sobrevivência. Mas no outro lado da rua lincham pedófilos, enganam seus fregueses no troco, puxam o saco do patrão, mães egoístas choram por seus filhos que não voltam mais.
Alguns toques de ironias em frente a sala da enfermaria, lembrando de Drugstore Cowboy. Efeitos colaterais de mais quarenta de vida...
Não são todos os dias que se pisa em um prego e nem se ganha cinco milhões na loteria... coisas raras e possíveis de acontecerem... podes crer...Poderia ser uma boa lição: cuidado que sempre há um perigo em cada esquina.
Já expressei várias vezes, em reuniões importantes de bar, minha aversão a burocracia, mas não adianta, formulários importantes devem ser preenchidos para registrar mais um fato lamentável da vida. E faço sem entender nada, porque estou preocupada com as provas que tenho que corrigir o horário o antibiótico o anti-inflamatório que acabou. Que semana, hem?!
Mas, vai passar a dor, o inchaço, a semana. Os remédios. Serei feliz no dia seguinte, para variar, para não desperdiçar as cervejas na geladeira, e nem virar uma maníaca depressiva. Tento ficar atenta a qualquer sinal de dor nos ombros. Tenho que agüentar firme, dormir cedo, acordar tarde.
Amanhã será mais ameno, talvez, ou mais agitado, talvez. Adivinhar nunca foi meu forte, provavelmente nem o seu, por isso... deixa pra lá! O mundo não nos espera, tola idéia quem pensa o contrário. Tolices é meu forte...

(Célia Demézio)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

TEMPOS MODERNOS


Tanta papelada espalhada pelo chão...
Tanta papelada espalhada pelo mundo...
Tanta papelada escorrendo pelo ralo...
Tanta papelada jogada no lixo...
Tanta papelada a ser preenchida...
Tanta papelada debaixo da cama...
Tanta papelada entupindo ralos...
Tanta papelada rubricada...
Tanta papelada espalhada na cabeça...
Tanta papelada e nenhuma atenção...
Mera formalidade em caso de acidente.

(Célia Demézio)

domingo, 19 de abril de 2009

RUMORES


Em tempos de crise,

Tropeçamos na calçada,

A comida azeda,

O café cai no chão.

Em tempos de crise,

Sempre perdemos tempo.

Gaguejamos desculpas,

Rasgamos bilhetes de loteria.

Em tempos de crise,

Babamos de raiva,

Deixamos remela no olho,

Prendemos o dedo na porta,

Esquecemos todas as melodias.

Em tempos de crise,

A dor no peito nos invade,

Agonizamos nos corredores,

Nos esforçamos, choramos

E morremos na praia.

Sem chance!

Em tempos de crise,

Não se acredita nas previsões e o clima nunca é bom.

Azia, prisão de ventre, insônia, sinusite.

Sem brincadeiras, sem humor, sem sal, sem açúcar.

E um futuro tão distante,

Que não vale a pena esperar.


(Célia Demézio)

terça-feira, 14 de abril de 2009

DISSONÂNCIAS INSPIRADORAS



Transpirando suores frios,
Impaciente nos pontos de ônibus.
Tentando fazer versos por força do hábito,
Engolindo o almoço.
Ouvindo sons pra lá de antigos,
Esperando o sinal abrir.
Vivendo calmamente,
Sobrevivendo de assuntos mornos.
Alguns trocados na carteira,
Anéis que vão se perdendo pelo caminho.
Jazz... Jazz... Jazz...
O tempo parece dissonâncias inspiradoras

sexta-feira, 3 de abril de 2009

VIVO...


O dia é tão longo...

A vida, nem me diga ...

Não me pergunte que hora são.

Não sei dizer...

Provavelmente temos algum tempo,

Antes e depois acordar de mal humor.

Enfrentei filas e ônibus cheios

Pensando que tudo poderia ser diferente.

Mas se não é,

Digo com os meus botões,

Traga-me uma cerveja gelada

E respingos do mar.

Estou a esperar...


(Célia Demézio)

sábado, 21 de março de 2009

PERSEVERANÇA


Essa noite sonhei,

Sonhos estranhos.

E calmamente, o dia recomeçou...

Custei a acreditar.

Termômetro não passava dos 25.

Homens reergueram seus prédios,

Trouxeram noticias frescas,

Ansiosos por climas quentes.

Meus dedos adormeceram,

Falta comida na geladeira.

De vez em quando eu choro,

Para dizer que sinto muito.

Três horas de sono

E o café de todas as manhãs.

Tenho novos erros de português,

Mas encaramos mais essa.

Calmamente me espreguiço,

Alongamento de antigas jornadas.

Pronto! Acendo um cigarro.

Levo resquícios de um estranho sonho.

Meus desejos a vinagrete, por favor!


(Célia Demézio)

domingo, 1 de março de 2009



"Pessoas não são doces"

(Willy Wonka - A Grande Fábrica de Chocolate)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

BOCEJOS...


Nenhuma hora certa...
Nenhum gato preto na estrada...
As coisas estão silenciosas...
Tão fácil de ser esquececidas...
E bem diz o ditado...
O dias começam aos domingos...

(Célia Demézio)

Segunda Impaciência do Poeta


Cresce o desejo, falta o sofrimento,
Sofrendo morro, morro desejando,
Por uma, e outra parte estou penando
Sem poder dar alívio a meu tormento.

Se quero declarar meu pensamento,
Está-me um gesto grave acobardando,
E tenho por melhor morrer calando,
Que fiar-me de um néscio atrevimento.

Quem pretende alcançar, espera, e cala,
Porque quem temerário se abalança,
Muitas vezes o amor o desiguala.

Pois se aquele, que espera se alcança,
Quero ter por melhor morrer sem fala,
Que falando, perder toda esperança.


(Gregório de Matos)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

RITMOS


Quero ouvir soul music,
Cantar samba,
Dançar twist,
Tocar rock n´ roll.

Quero contar segredos,
Falar baixo,
Aprender inglês,
Traduzir complicações.

Quero viajar,
Andar trilhas,
Saber nadar,
Descansar...

(Célia Demézio)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Anacrónicamente muy excitante


Hay días, hay noches, algunos y algunas más que otras que me la paso construyendo ficciones, y al rato las destruyo por sentirlas anacrónicas, hasta eróticamente obsoletas, si es que eso es posible, si es que el erotismo que me erotiza puede ser fuera de tiempo, antiguo. Entonces me pregunto si lo que imagino es semejante a un baile de máscaras aquelarrero y vetusto, a una quermese, a un paseo por helado y chuparte el palito entero. Me pregunto todo eso y si las fantasías, la imaginación tienen fecha de vencimiento, si se pudren y hacen mal o no hacen nada. Si es así, creo que hay algo de este mundo que me perdí, que no entendí y definitivamente estoy fuera del sistema para absolutamente todo, puesto que para lo demás yo misma ya me había puesto al margen.
Tengo mi guitarra sobre la cama voy a cantar lo que me plazca. Te tengo a vos sobre la cama, me estás esperando, querés que termine con lo que hago, aunque no sepas lo que hago porque luego de lo que haga estaré más tranquila, más contundente con vos… Y va frase hecha, no perdés nada por esperar… Tengo muchas ganas de hocico en miembros, de cabalgar, de gritar y seguir y duermevela y despertar y que el desayuno y seguir jadeando… anacrónicamente muy excitada.

(Isabel Estercita Lew) http://isabelestercitalew.blogspot.com/

domingo, 25 de janeiro de 2009

RECEITA DA MADRUGADA DE INSÔNIA


O corpo fala que coração está aflito.
Também que coisa é essa de achar tudo uma graça?
Em dias de pico procuro sempre ver as horas
Pra não confundir a astronomia.
Tento fazer o melhor possível dentro do impossível.
Formas de sobrevivência...
Só falta eu me atrasar.
Mas, não que tivesse a mínima idéia...
Mas, depois boto a água para ferver...
Não sinta muita a minha falta,
E eu sentirei que você não existe.
Tamanha falta de senso minha...
Pelo menos ainda restam alguns minutos.
Se eu puder contar tudo outra vez
De traz pra frente...
Tempo... não passe tão lento assim...
Disfarçado de século 21...
Você nos engana tão bem...
E a gente descansa de tantas maneiras,
Igual ao dia anterior.
Há mil maneiras de se dar mal...
Mas, como adoro Cartola,
Estou na torcida que acabe tudo bem.


(Célia Demézio)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Não


Não falo coisas assim.
Não conto coisas assim.
Não ouço coisas assim.
Não conheço coisas assim.
Não estudei coisas assim.
Não procuro coisas assim.
Não tenho coisas assim.
Não desejo coisas assim.
Não vejo coisas assim.
Não acho coisas assim.
Não saco coisas assim.
Não sonho coisas assim.
Não converso coisas assim.
Não faço coisas assim.
Não busco coisas assim.
Não canto coisas assim.
Não perco coisas assim.
Não ganho coisas assim.
Não escrevo coisas assim.
Não amo coisas assim.
Não invejo coisas assim.

(Célia Demézio)
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