domingo, 19 de abril de 2009

RUMORES


Em tempos de crise,

Tropeçamos na calçada,

A comida azeda,

O café cai no chão.

Em tempos de crise,

Sempre perdemos tempo.

Gaguejamos desculpas,

Rasgamos bilhetes de loteria.

Em tempos de crise,

Babamos de raiva,

Deixamos remela no olho,

Prendemos o dedo na porta,

Esquecemos todas as melodias.

Em tempos de crise,

A dor no peito nos invade,

Agonizamos nos corredores,

Nos esforçamos, choramos

E morremos na praia.

Sem chance!

Em tempos de crise,

Não se acredita nas previsões e o clima nunca é bom.

Azia, prisão de ventre, insônia, sinusite.

Sem brincadeiras, sem humor, sem sal, sem açúcar.

E um futuro tão distante,

Que não vale a pena esperar.


(Célia Demézio)

terça-feira, 14 de abril de 2009

DISSONÂNCIAS INSPIRADORAS



Transpirando suores frios,
Impaciente nos pontos de ônibus.
Tentando fazer versos por força do hábito,
Engolindo o almoço.
Ouvindo sons pra lá de antigos,
Esperando o sinal abrir.
Vivendo calmamente,
Sobrevivendo de assuntos mornos.
Alguns trocados na carteira,
Anéis que vão se perdendo pelo caminho.
Jazz... Jazz... Jazz...
O tempo parece dissonâncias inspiradoras

sexta-feira, 3 de abril de 2009

VIVO...


O dia é tão longo...

A vida, nem me diga ...

Não me pergunte que hora são.

Não sei dizer...

Provavelmente temos algum tempo,

Antes e depois acordar de mal humor.

Enfrentei filas e ônibus cheios

Pensando que tudo poderia ser diferente.

Mas se não é,

Digo com os meus botões,

Traga-me uma cerveja gelada

E respingos do mar.

Estou a esperar...


(Célia Demézio)

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