sexta-feira, 18 de junho de 2010

VAMPKLAUSS V


Sinceramente
Não sei o que os canalhas fazem na hora do almoço.
Se comem caviar ou engolem nossos pescoços.
Sinceramente,
Não sei se a Justiça é cega de verdade.
Tenho minhas dúvidas sobre a razão e a piedade...
E com elas vou vivendo,
Dando meu sangue e meus cartões de crédito.
Falaram tanto
Que tenho vertigens ao ver televisão.
Sinceramente,
Como pedaços de alho para me proteger,
Todos os Santos Dias...

(Célia Demézio)

terça-feira, 1 de junho de 2010

AO FUSCA COM CARINHO...


Há uma professora que trago na memória, e era de Inglês e Português. Ela fazia questão de pouco sorrir, mostrava-se totalmente impecável em suas vestimentas e seu carro, um fusca bege, parecia sempre brilhar. Ninguém ousava conversar em sua aula, sob pena de levar o maior sermão de sua vida, na frente de todos os colegas de classe. Ela transmitia ser uma pessoa extremamente culta, que nunca cometia erros em sala de aula, e ninguém era louco de apontar um. Sem chance...
Eu mesmo sofri duros golpes com ela, pois no antigo ginásio, não fui das alunas mais exemplares, e com duas repetências, era muitas vezes, o seu alvo. Alunas como eu, para essa professora, era o verdadeiro exemplo de fracasso. Nunca ousei responder a suas grosserias, mas no fundo de minha mente perversa de adolescente, imaginava riscando seu belo fusca bege. Outros, na surdina, tiveram coragem, deixando a mestre totalmente enfurecida, a ponto de cuspir fogo em todos os alunos. Parecia o dia do juízo final. Mas, eu nunca tive coragem para tal ato, e calada, fechava o caderno e voltava para casa.
Hoje, essa antiga professora deve ter se aposentado, ou talvez, morrido...
Mas, imagino um dia, atravessando a rua, que um fusca bege pare, para que eu possa atravessar a faixa de segurança em paz.

(Célia Demézio)

TEMPERATURA BAIXA


Nesta madrugada

As coisas tentam se arrumar,

Meio sem jeito pelos cantos,

Notícias urgentes e panos quentes.

E uma enorme dor de cabeça começa a manifestar...

Se sofro de tédio

Nada a fazer.

Os prédios são maiores do que eu.


Milagres, curas, impressões digitais.

Um novo som que não surge,

A água do macarrão fervendo,

E as cervejas me ressecando...

Estamos em greve.

Se sofro de tédio

Nada a fazer.

Os prédios são maiores do que eu.


(Célia Demézio)
Loading...
Loading...