terça-feira, 22 de março de 2011

DO LADO AVESSO


Chego atrasada ao trabalho, tenho cismas estranhas, meus pesadelos não são agradáveis, mas corto as unhas, tento disfarçar, pela manhã começo a fingir, pro dia nascer feliz, minha alma vai ficando pequena, há um repertório de velhas canções acompanhadas por músicos, amigos, conhecidos, desconhecidos, chefias, cobradores de ônibus,e se eu fosse tatuar meu corpo escolheria sonetos de Pablo Neruda, e juro, ficaria eternamente nua...


(Célia Demézio)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

UM POEMA PARA IPORANGA


A água corre forte, lá no escuro...
Nossas cavernas têm milhares de anos.
Muitas pedras pelos caminhos,
E uma correnteza forte pode te arrastar para bem longe...
Um rio gelado...mergulhe rápido para perder o medo.
O centro da cidade branco e azul...
Qual a cor do seu time?
Carroças, tratores, ladeira acima, ladeira abaixo...
A vida de cada gente é sempre estranho a mim.
É pelo gosto da surpresa ou outro algum comichão...
Durante o dia visitava a escuridão, lugar incomum por si só...
Quietinha no meu canto perdia a direção.
A noite por lá é quieta,
E não se perturba com o som da viola...
Cidade de bom coração.


(Célia Demézio)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CERTO DIA


Foram-se pelas águas,
Deixaram o planeta terra...
Fizeram bem, fizeram mal,
Compraram seus jornais de domingos,
Cuidaram de seus cachorros,
Tiveram seus amigos, filhos,
Não tiveram ninguém.
Foram-se numa cama de hospital,
Deixaram suas dívidas para trás.
Ouviram suas músicas favoritas,
Mentiram e foram enganados.
Sonharam com melhores dias,
Desprezaram suas vidas tediosas.
Foram-se por um acidente,
Aventuraram-se, correram, desmaiaram.
Trouxeram presentes, fizeram festas.
Choraram e como foram ingratos...
Desperdiçaram comida, mas fizeram o jantar.
Adoraram, odiaram, escreveram, sugaram.
Foram-se de repente.
Não explicaram, não voltaram.
Desperdiçaram chances, ganharam na loteria.
Roubaram, foram traidores, tinham inveja dos amigos.
Deram pão aos que têm fome, choraram de dor.
Foram-se num certo dia,
De um mês qualquer, só alguns sabem.
Outros esqueceram.
Já tiveram o céu e o inferno, vieram e sentiram sabores.
Amargo, azedo, doce, sem gosto.
Inventaram o sal e a pimenta.
Guaraná, cerveja, uísque, água gelada.
Nunca saciaram sua sede.
Porém, deram adeus e tchau... disseram:
- Fomos todos, criaturas cheias de vida!


(Célia Demézio)
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