sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

UMA NOTA SÓ

" Já me utilizei de toda a escala/E no final não sobrou nada/Não deu em nada" Samba de Uma Nota Só (Tom Jobim)



Essa música... nunca pára... Infinita... soa, como de hábito... , mas a vida continua. Talvez eu tente escolher uma trilha sonora para cada cena... mas só existe uma música... que nunca pára de tocar... E lá se foram os anos... vinil... fita cassete, e agora, neste exato momento, CD, MP3, e cliques do mouse... mas essa música nunca pára... de tocar. Há anos em meus ouvidos. Já virei o disco... mas houve defeito de fábrica. Do outro lado não ouço nada... apenas ecoa... infinitamente... o silêncio... ou seja, ou o silêncio... ou a mesma música de sempre. Essa é a escolha.
Hoje acordei, tomei um copo d´água, um gole de café preto e um cigarro. Liguei o computador, zanzei de um lado para o outro, por e-mails, deletei spams, e começou a chover mais forte... O quarto sujo, papéis e poeira... dei uma varrida para distrair a mente... Pus a Elis para tocar... e abri uma lata de cerveja, bem gelada... a primeira lata não foi bem redonda... mas engoli... de teimosa. Não dei muita bola as minhas más sensações... e continuei a tirar o pó dos móveis... Muitas cinzas de cigarro pelos cantos. A Elis também não me agradou, dessa vez. Mudei para Elizeth Cardoso. A primeira faixa me soou meio fúnebre. Talvez seja minha tristeza... senti um medo repentino de viver... Barracão de Zinco me emocionou... Um instante de atenção maior... Depois virei o disco... como dizem os otimistas de plantão... Clara Nunes... talvez algum deus me desse a resposta... Só continuei limpando... tirando o pó... como uma neurótica, diagnosticada por Simone de Beauvoir. Interrompi o som... fui comprar mais cigarros... Houve um bloco de carnaval pelo bairro... mas chovia muito... Confesso que a bateria me emocionou... Mas, tudo acabou muito rápido... como efeito de um crack... A multidão logo se dispersou para seus respectivos abrigos... Santos não anda sendo uma cidade muito empolgante, verdade seja dita... E o dia vai acabando... e acabei ouvindo Lobão... Rock´n Roll na veia!... Um pouco de soro para quem não tem forças mais para sorrir... Agora é hora do silêncio... como nos filmes de suspense... daqueles clássicos... barra pesada...
Não consigo parar de ouvir a mesma música... incomoda, às vezes... Se soubesse de outro som, teria alternativa... se sei... nunca botei para tocar... triste e patética história... os fones de ouvido talvez me deixaram surda algum dia... a única coisa que consigo fazer agora... é bater o pé, acompanhando o ritmo... ouvindo alguma canção... ou qualquer bobagem...


(Célia Demézio)

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