domingo, 27 de maio de 2007

QUAL É MESMO O SEU NOME?


De toda a grana que eu havia ganhado nos últimos dois meses restava apenas uma nota de vinte e uma opção; Ir até o cinema assistir o último filme dos irmãos Ethan e John Cohen. “O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ” era o filme em questão. E para sobrar algum trocado, decidi que iria até o cinema onde o filme estava em cartaz a pé mesmo. E para o meu desespero o tal cinema ficava dentro de um shopping no centro de Santo André...
Eu já manifestei inúmeras vezes a enorme ojeriza, o asco e o ódio que eu sinto por shoppings. Mas sempre que posso eu aproveito para descer o cacete nesses templos de adoração à estupidez humana. Neles, onde poesia não mofa porque lá, nunca ela conseguiu existir. Tudo de plástico. “Fake”. Engessado. Mas enfim; Eu não tinha opções. Então quando deu seis horas da tarde, eu enfiei minha calça preta, meu tênis All Star, vesti a minha camisa do The Clash, peguei a jaqueta jeans e iniciei minha caminhada rumo ao templo dos imbecis, atrás de um filme de qualidade que me desse alguma alegria. Resolvi levar também um livro do Baudelaire de poemas em prosa. Julguei que talvez, viesse a ter alguma utilidade...
Vinte e cinco minutos depois, eu já estava praticamente do lado da porra do shopping e então pensei; “Não. Careta não vai dar pra encarar esse lugar não!” E fiz uma parada estratégica num boteco que ficava bem em frente ao shopping.
Tomei uma cerveja e um conhaque vagabundo. Também comprei um maço de cigarros Camel, tirei um e dei umas boas tragadas. Depois, tive as minhas leituras interrompidas pelo dono do bar (aparentava) que sei lá porque, e contou que morou em Barcelona dois anos e que lá os catalãos boicotaram o consumo de gasolina nos postos locais devido a um inoportuno aumento. Fui Cortês.
Ouvi a história toda, sem mandar o cara ir tomar no cu e me deixar em paz... Como disse; Deixei que me contasse enquanto terminava de tomar pelo menos aquele conhaque. Terminei. E quando troquei a nota de vinte, prometi pro cara que voltaria. Balela. Entrei no Shopping.
Puta que Pariu!!
Enquanto procurava a porra do cinema e todos olhavam para mim assustados eu pensava se não seria melhor desistir de toda aquela “radicalidade” e gastar o resto do dinheiro no bar do catalão. Não desisti.
Faltavam apenas dez minutos para começar o filme e meu amor pelo cinema falou mais alto. Fui até a bilheteria onde, separada por um grosso vidro à prova de balas e de qualquer tipo de contato humano, uma mocinha de cabelos presos junto a um coque que a envelhecia pelo menos uns quarenta anos, me informou que “... A sessão das sete horas já esta lotada senhor...” Ou seja; Eu teria que fiar esperando até ás nove horas para ver o filme. Duas horas dentro do shopping! Aí virou questão de honra... “Vou ficar e ver essa merda e pronto!” – Resolvi.
Voltei a bilheteria, comprei o ingresso, descolei uma pilastra para me encostar e agradeci ao diabo por ter trazido o livro para ler durante àquelas horas. Já que nada parecia me chamar à atenção aquele lugar do caralho, acendi um cigarro e enfiei a cabeça nas paranóias em prosa do Baudelaire. E quando eu achei que permaneceria por ali entretido com aqueles poemas, apareceu aquela que me faria mandar à merda o francês genial e genioso...
Chegou na bilheteria um tanto quanto esbaforida. Comprou ingresso e imediatamente saiu do guinche cavoucando a bolsa até conseguir tirar de dentro, um telefone celular. Fez uma ligação. Não teve retorno e isso a deixou puta da vida; “Merda!”. Reclamou.
Nesse momento, eu, que já tinha a minha atenção voltada para ela a observei melhor e notei que seus cabelos curtos pintados de vermelho se realçavam ainda mais dentro daquele exótico visual devido a uma linda tatuagem tribal, localizada na parte de trás do seu pescoço. Usava uma jaquetinha de couro marrom e uma calça jeans deliciosamente agarrada. Tinha uma bunda linda! Um corpinho bonito e um rosto que, se não era tão lindo pelo menos completava bem o conjunto de toda aquela obra. Era gata sim.
E seu jeitinho de perdida no mundo, alienada, aquele andar desgrenhado, o barulho do salto das suas botas, a sua ansiedade em tentar se comunicar com o babaca que estupidamente insistia em não atende-la e todo contraste criado pela aparente cara de “patricinha” que ela forçava, criavam um encanto todo especial naquela mulher. Lá pela quinta vez que tentou ligar para o otário, nossos olhares se cruzaram. Naquela hora eu já estava sentado no degrau que dava acesso as salas de cinema.
Um cara com roupa de garçom do Mac Donald’s me perguntou se eu poderia me levantar dali e eu disse que não. Aí ele foi buscar outro que parecia gerente de sorveteria, vestido com uma camisa de manga curta e uma gravata de crochê preta, que me fez a mesma pergunta. Eu mandei os dois pra puta que pariu! Ela riu.
Começamos a trocar olhares e então eu a vi mascando um chiclete freneticamente com cara de puta enquanto me olhava por cima do ombro. Saiu andando e não precisava de mais nada...
Quando o garçom do Mac Donald’s e o gerente de sorveteria vieram em minha direção com outro, que usava um terno de funcionário de funerária, eu não esperei que ambos me fizessem a pergunta pela terceira vez; Me levantei, passei por eles e fui direto atrás dela. Agora, ela rebolava pra caralho e olhava para trás com cara de desafio sorrindo. Eu, tal qual um cachorrinho, andava atrás. Quando cheguei perto ela, da porta do banheiro feminino me olhou e sorriu. Não afinei, não!
Entrei com tudo no banheiro das mulheres. Limpo! Nojentamente limpo! Bem diferente daqueles em que eu costumava vomitar as minhas noitadas. Ela me olhou através do espelho com as mãos apoiadas na pedra de mármore que formava a pia do banheiro. Riu de novo. Eu não...
Cheguei por trás, a abracei encoxando-a e enchendo as mãos nos peitos dela. Tasquei-lhe a língua na orelha, deixando minha mão escorrer por dentro da calça dela. Achei! Enfiei o dedo na buceta dela. E ela me respondeu rebolando a bunda gostoso no meu pau, que, de tão duro latejava por trás da cueca. Depois, ela se virou e enfiou a língua na minha boca, puxando os meus cabelos, iniciando um beijo nervoso. Quando tentei joga-la em cima da pia ela não deixou:
Me empurrou, beijando-me até eu entrar em uma daquelas cabines. Quando entrei, ela se ajoelhou e ali mesmo chupou minha rola como ninguém jamais havia chupado antes, me fazendo gozar até no teto! Quando tentei virar o pau para gozar nela, ela se preocupou em não sujar a jaquetinha e se protegeu usando a cara. Não deixei por menos e a enchi de porra até a última gota!!
Quando terminei, estava literalmente de pernas bambas. Ela aproveitou e meteu as mãos no meu peito empurrando-me e me fazendo cair de bunda na privada. Depois me olhou altiva, vitoriosa com a cara melada e cheia de porra e sorriu definitivamente. Com a mão direita, eu fiz o sinal de paz e sorri também. Ela saiu, lavou o rosto e voltou para o saguão do cinema.
Eu me levantei peguei o livro do Baudelaire que eu havia largado em cima da pia e voltei correndo para a cabine. Rasguei uma folha e me limpei (Sabia que ele teria alguma utilidade). Vesti a roupa e quando abri a portinha da cabine, duas garotas deram de cara comigo e ficaram assustadíssimas:
“Qual é mina?! Preconceito mais besta...” – Falei olhando para uma delas enquanto eu saia do banheiro.
No saguão ainda encontrei a matadora do banheiro. Não nos falamos. Ela foi para a fila dela ver o Brad Pitt e eu fui para minha ver o Billy Bob Thorton.
Cada um tem o superstar que merece...


(MARCELO MENDEZ )

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